sexta-feira, dezembro 22, 2006

Novembro, dezembro

Na primeira aula eu já devia ter aprendido; nada se aprende na primeira aula. Sobre justificativas e explicações. Nada se aprende de nada. Quando eu digo que o amor daquele outro sobre sei lá quem é uma mentira, não quero desmerecer. Eu sei por que eu sei que nada disso existe. Vi o rosto da Nina Simone logo agora, logo agora. Quero viajar, mas o tempo e toda a distância é demais. Não devia, mas vou escrever assim por que isso não para. E eu não sei mais dizer o que sinto porque só agora eu vi o quanto envelheci, porque o ser é redondo e eu consigo me ver sendo uma pessoinha patética, sempre. Em toda sua esfera ridiculamente caprichada. E queria, não consigo escrever um hai kai, não tem sentido, nada tem sentido. Nem aquilo que é ver o seu sorriso. Enquanto não resolver esse problema do ser redondo que eu me vejo num beijo e depois dizem que eu não sou. Gosto de escrever para o nada do redondo que eu sou, das marcas no meu rosto depois que escovo os dentes me mostram a pessoa ignorante que está ali na frente do espelho de manhã. Não faz sentido porque é assim, porque eu nem você nem ninguém vai conseguir dizer sobre o tempo e o envelhecimento. Sobre como é ver o tempo que passou e não devia ter passado, não consigo olhar para frente e vivo com as minhas lembranças que não formam idéias. Tomo os passos errados e quem se importa. Não há um ser no mundo que não seja redondo e que não olhe para si. O choro é sempre egoísta, não há amor eterno que seja correspondido, já disseram isso em letrinhas e eu entenderei como quiser. Digo ainda que as coisa bonitas não devem ser ditas e as coisas felizes não devem ser escritas; tudo isso deve ser muito, mas muito bem vivido.

There's a way
Everybody say
Do each and every little thing
What good does it bring
If I ain't got you If I ain't got you
But i´m blind, i´m so blind

1 Comments:

At 6:10 PM, Anonymous Anônimo said...

É, foi uma mistura de recado para alguém com afirmação de Brasília. Lendo agora - foi escrito na madrugada do natal, no auge da depressão -, está carregado de amargura. Mas enfim, agora já foi publicado mesmo, hehe.
=)
Beijos

 

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